sábado, 9 de junho de 2018

Nossa bahía



Não é de hoje que te observo, ali do meu cantinho na areia, te vendo tão concentrada, preocupada sempre em fazer a coisa certa, tentando decifrar a vida em cada onda que quebrava em seus pés. Caminhado a passos lentos sem saber bem para onde, mas com muita vontade de chegar logo.
E eu ali, só observando, como é de meu costume, como um expectador de um filme onde só o protagonista e o cenário são suficientes para criar uma longa história.
Porém, como em toda história infantil, sempre aparece alguém para alegrar os dias de um protagonista solitário, já seja uma raposa ou um príncipe, nesse caso era só um expectador que também não tinha muito o que fazer além de se divertir com os cardumes dançantes que circulavam Entre os corais.
Por um lado morrendo de rir das paródias da natureza e por outro observando o protagonista e pensando: que estranho que é o ser humano, está o tempo todo preocupado em alcançar a perfeição, nem uma só vírgula pode atrapalhar o encanto de seus versos, tão mas tão concentrado que não vê que a graça da vida está ali bem diante de seus olhos, nos cardumes dançantes Entre os corais.
Dois mundos tão próximos e distantes ao mesmo tempo, protagonista e expectador, que depois de tanto tempo, como que por um passe de mágica se viram, não como antes, dessa vez foi diferente, entenderam que só se ver bem com o coração , se encontraram ali na beira do mar, bastou um olhar e um sorriso para que tudo fizesse sentido. Então era sobre isso que falava a raposa, CATIVAR, ou seja, se expor a essa susceptibilidade incontrolável, que te faz sentir saudade e querer estar perto, te deixa triste com a distância e ansioso para o reencontro, contando os minutos e segundos, agora tudo fazia sentido nesses dois mundos.
E foi bem ali Entre sorrisos e olhares que você me cativou

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