sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

LIMBO



Os dias passam e se tornam sombrios,quanto mais caminho ao longe mais percebo a escuridão das trevas.
O intervalo de tempo entre meus inseguros passos se torna mais longo do que costumava ser, até que o silencio é quebrado quando a ponta do meu pé toca leve mente esse chão de barro e pedras que não esconde a solidão do lugar ao levantar uma nuvem de poeira marcando cada passada.
Olho lentamente para os lados enrugando os olhos para tentar identificar vida em meio a tanta escuridão, mas é tudo em vão, nem mesmo a silhueta da minha própria imagem posso eu encontrar.
O medo toma conta de mim, sem ar, sem voz nem mesmo para sussurrar, as minhas mãos começam a ficar mais frias do que sempre, não conseguem esconder os sinais desse tal medo.
Estática, imóvel, continuo eu aí, o vento é o único presente nessa cena, sopra como um assobio, dando vida aos meus negros cabelos.
Nem para a direita, nem para a esquerda, em vão seria continuar, nem correr nem parar, agora só resta o palpitar do meu coração em um ritmo galopante de quem quer saltar do peito e seguir caminho ao longe.
Chegou o fim, ponto final, fim da trilha, fundo do poço, ou sei lá como você quer chamar, o importante é que não resta nada mais a ser feito.
Mas ainda há algo dentro de mim que parece ir contrário a todos os meus sinais físicos. Ele briga com o meu medo e de certa forma o tenta freiar, mais ao mesmo tempo meu outro eu só o quer estimular.
Ele só quer brincar com o tempo, ir e voltar, suas peças encaixar, o quebra-cabeças armar para finalmente eu poder entender porque aqui estou, em que momento caminhei eu pra cá se já conhecia o terror deste lugar, agora que paro pra pensar e observar já conheço esse lugar sombrio e escuro, já estive aqui antes, em algum outro momento que parece ser a tanto tempo. Quero me lembrar, peraí que com o tempo vou brincar, minutos, horas, dias, meses, não consigo encontrar, são muitas as gavetas e arquivos que tenho que buscar. Que bagunça! essas são mesmo as MINHAS memórias?!
Reviro aqui, acolá tanto papel velho que já não serve pra nada, vou jogar tudo fora, quero só as boas lembranças guardar.
 Depois de tanta memória revirada finalmente encontrei esse papel feio e rasgado no fundo de uma gaveta bem escondida coberta por poeira e trancada a sete chaves.
Aí está você, pensei eu com um medo aterrorizante de me aproximar. Ao olhar para o lado vi uma plaquinha que dizia “perigo memórias arquivadas”, queria mesmo eu o passado revirar?
Vida ou morte, querer ou não, enfrentar o medo ou continuar vivendo em vão?
Eu sabi que a resposta para o meu enigma estava alí, bem detrás dos meus olhos. Bastava eu me atrever a invadir o passado e relembrar o caminho para sair desse lugar.

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