Os dias
passam e se tornam sombrios,quanto mais caminho ao longe mais percebo a escuridão
das trevas.
O intervalo
de tempo entre meus inseguros passos se torna mais longo do que costumava ser,
até que o silencio é quebrado quando a ponta do meu pé toca leve mente esse
chão de barro e pedras que não esconde a solidão do lugar ao levantar uma nuvem
de poeira marcando cada passada.
Olho
lentamente para os lados enrugando os olhos para tentar identificar vida em
meio a tanta escuridão, mas é tudo em vão, nem mesmo a silhueta da minha própria
imagem posso eu encontrar.
O medo toma
conta de mim, sem ar, sem voz nem mesmo para sussurrar, as minhas mãos começam
a ficar mais frias do que sempre, não conseguem esconder os sinais desse tal
medo.
Estática,
imóvel, continuo eu aí, o vento é o único presente nessa cena, sopra como um
assobio, dando vida aos meus negros cabelos.
Nem para a
direita, nem para a esquerda, em vão seria continuar, nem correr nem parar,
agora só resta o palpitar do meu coração em um ritmo galopante de quem quer
saltar do peito e seguir caminho ao longe.
Chegou o
fim, ponto final, fim da trilha, fundo do poço, ou sei lá como você quer
chamar, o importante é que não resta nada mais a ser feito.
Mas ainda
há algo dentro de mim que parece ir contrário a todos os meus sinais físicos.
Ele briga com o meu medo e de certa forma o tenta freiar, mais ao mesmo tempo
meu outro eu só o quer estimular.
Ele só quer
brincar com o tempo, ir e voltar, suas peças encaixar, o quebra-cabeças armar
para finalmente eu poder entender porque aqui estou, em que momento caminhei eu
pra cá se já conhecia o terror deste lugar, agora que paro pra pensar e
observar já conheço esse lugar sombrio e escuro, já estive aqui antes, em algum
outro momento que parece ser a tanto tempo. Quero me lembrar, peraí que com o
tempo vou brincar, minutos, horas, dias, meses, não consigo encontrar, são
muitas as gavetas e arquivos que tenho que buscar. Que bagunça! essas são mesmo
as MINHAS memórias?!
Reviro aqui,
acolá tanto papel velho que já não serve pra nada, vou jogar tudo fora, quero
só as boas lembranças guardar.
Depois de tanta memória revirada finalmente
encontrei esse papel feio e rasgado no fundo de uma gaveta bem escondida coberta
por poeira e trancada a sete chaves.
Aí está
você, pensei eu com um medo aterrorizante de me aproximar. Ao olhar para o lado
vi uma plaquinha que dizia “perigo memórias arquivadas”, queria mesmo eu o
passado revirar?
Vida ou
morte, querer ou não, enfrentar o medo ou continuar vivendo em vão?
Eu sabi que
a resposta para o meu enigma estava alí, bem detrás dos meus olhos. Bastava eu
me atrever a invadir o passado e relembrar o caminho para sair desse lugar.

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